Psicanálise

Ouvir sem querer consertar: a arte da presença receptiva

Publicado em 16 de Jul de 2026

Quando alguém nos procura em sofrimento, nosso primeiro instinto costuma ser oferecer soluções. "Você já pensou em...", "O que você deveria fazer é...", "Eu tive um problema parecido e..."

Essas intenções são boas. Mas muitas vezes, quem sofre não precisa de conserto — precisa de alguém que testemunhe sua dor sem fugir dela.

Ouvir sem querer consertar é uma das formas mais profundas de presença que podemos oferecer. Significa estar inteiro com o desconforto do outro, sem a urgência de resolvê-lo.

Isso não significa passividade ou concordância. Significa confiança no processo do outro e respeito pelo tempo que cada pessoa tem para metabolizar suas experiências.

Quando oferecemos esse tipo de escuta, criamos espaço para que o outro se sinta visto — o que, por si só, já é cura.

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